O que a Classe C ainda nos reserva?

Depois de meu último post onde comentei sobre pirataria, alguns leitores me escreveram correlacionando o aumento do consumo de produtos piratas com o aumento do poder de consumo da Classe C.

Analisemos.

Segundo a recente Revista Exame que apresenta o Brasil pós-Lula, a grande transformação dos últimos anos foi o surgimento de um grupo consumidores com uma significativa demanda reprimida de consumo. O primeiro movimento foi a aquisição de casa própria, carros 0km, móveis e eletrodomésticos (com destaque para TVs de LCD/plasma), entre outros.

A questão apontada sobre a pirataria é de que o perfil de consumo de boa parte dessa Classe C ávida por consumir é repetir ou imitar os hábitos de consumo das Classes A e B, e isso inclui marcas famosas. Não basta vestir uma boa calça jeans, esse consumidor quer “uma Diesel”, e a situação se repete com inúmeros produtos. Não só vestuário, mas videogames, perfumes, cremes, acessórios, óculos, etc. O alto movimento de centros comerciais recheados de piratas é reflexo que esse público está consumindo e não é pouco.

Deixando a pirataria um pouco de lado, é inegável que está aberta a janela de oportunidades que a Classe C oferece para bons negócios no Brasil. Após adquirir bens típicos de demandas reprimidas, esse público consumidor inicia uma forte procura por serviços de saúde e educação.

As empresas que enxergarem isso tem/terão uma grande vantagem competitiva em mãos. A questão é saber o que esses consumidores procuram e se adaptar ao seu estilo de comprar. Por exemplo, assim como fizeram com apartamentos, eletrodomésticos e demais itens que fizeram parte de sua cesta de consumo, a Classe C foca na parte e não no todo.

O que vale na negociação é a parcela, não o valor total. A parcela cabe no bolso? Compra. Não importa o valor final acrescido de juros. Outro ponto: se possível, a aquisição de um bem deve parecer uma compra dupla/casada. O que foi por muito tempo uma prática condenada por alguns economistas, atualmente tem sido utilizada por muitas empresas brasileiras. Compre uma TV 42 pol. e ganhe um DVD player ou assinatura de TV à cabo, e por aí vai.

Esses pontos podem ser adaptados para a saúde e educação? Sem dúvida. Mas vai exigir dos empresários mais do que bons produtos, mas também excelentes estratégias comerciais. A propaganda para a Classe C é diferente, assim como os argumentos de venda nesse mercado.

E sua empresa? Ela está pronta para atender a Classe C?

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