Vai um Big Mac aí?

Nas últimas semanas tenho me surpreendido com vários questionamentos sobre o dólar e sua cotação ideal. Os motivos são variados, desde as falas do Ministro Guido Mantega sobre a “guerra cambial” até amigos que viajam ao exterior e sentem o “poder “  de nossa moeda.

Minhas respostas foram desanimadoras, não revelo o câmbio ideal. Guardando segredo? Não, absolutamente. É impossível prever. Melhor assim, afinal, economista futurólogo é pior que atendente de telemarketing – fala, fala, fala mas não tem nada a dizer.

Colhendo opiniões de profissionais que lidam com a cotação do dólar diariamente, como clientes que possuem empresas exportadoras e outros que importam componentes de seus produtos, sinto que existe uma necessidade de convergência de valores. O Real está tão valorizado que vem prejudicando ambos.

Segundo dados da The Economist, revista inglesa de referência mundial, o Brasil está no mesmo patamar de valorização do Real de 1998 quando o câmbio era meio-fixo meio-flutuante. O reflexo direto disso é o “Índice BigMac”, calculado pela revista e que mostra quando custa, em dólares, um sanduíche BigMac em diferentes economias.  Se o BigMac de seu país custa mais em dólar no seu país do que nos próprios EUA, é sinal de que sua moeda está sobrevalorizada internacionalmente.

A Suíça lidera o ranking seguida pelo (pasmem) Brasil! Um BigMac custa aqui, em dólar, 5,26, ficando a frente da Região do Euro, Canadá e Japão. Nos EUA um BigMac custa 3,71 e na China custa 2,18 dólares. Ou seja, real valorizado torna o Brasil um país caro em dólar.  O BigMac nesse caso reflete o que provavelmente acontece com os demais produtos da economia.

O que convencionou-se chamar de guerra cambial é justamente luta dos países, em especial os emergentes, em manter suas moedas desvalorizadas em relação ao dólar. Assim exportam mais, pois seus produtos tornam-se mais baratos internacionalmente.

As razões para valorização do Real congregam um cenário de estabilidade na política (nem Dilma nem Serra farão coisas diferentes das atuais ações) com juros altos e inflação controlada. Isso é música para os investidores especulativos. Imagine você na pele desses investidores: precisa dar retorno e o Brasil paga juros altos; não correr risco e o Brasil não apresenta(va) riscos para o capital investido. Resultado: chuva de dólares. Investidores do mundo inteiro vem ao Brasil em busca de uma relação razoável de risco e retorno. Maior oferta de dólares, faz sua cotação cair, valorizando o Real.

O que o Ministro Mantega tem tentado fazer é posicionar o Brasil nessa guerra, onde o Brasil, ao receber investimentos vê sua moeda se valorizar a cada dia (e com isso seus produtos), e países como China vem artificialmente mantendo suas moedas subvalorizadas. Os recentes aumentos do IOF no Brasil para investimentos especulativos buscaram colocar o país nessa guerra, porém não surtiram o efeito esperado (desvalorização do Real).

Existem inúmeras discussões sobre a participação do Brasil nessa guerra cambial. Entretanto, independente de sua posição em relação à política econômica brasileira, é inegável a necessidade de se fazer alguma coisa para melhorar a competitividade dos produtos brasileiros no exterior.

Segundo especialistas de mercado, a taxa de câmbio que equilibra essa relação é algo em torno de R$2,20, o que manteria as condições para desenvolvimento de nossa economia.  A questão que ainda incomoda é se essa intervenção no câmbio pode evoluir para controle de capital ou manutenção artificial do valor do Real.

Ainda é cedo para chegar a qualquer conclusão nesse sentido. O que me parece inadiável é ter uma posição clara do Brasil em relação a sobrevalorização do Real. Claro, desde que isso não comprometa a austeridade nos gastos públicos nem crie uma escalada inflacionária. Ou seja, terei que me contentar um BigMac caro e iniciar logo minha dieta?

One thought on “Vai um Big Mac aí?

  1. A formula desse bolo nós sabemos: ajuste fiscal = (- gastos) + sup. primário => divida menor+ (- juros ) => (-dolares )+ tx cambio = +exportações+sup. tras correntes => – impostos + crescimento. Yes, eu aindo estou bom nisso…hehehehe
    Chego a conclusão que precisamos um novo FHC = Serra… que merda.

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