Dinheiro na mão é vendaval?

Recentemente retomei minhas atividades como professor de Economia e a experiência mais interessante desse retorno tem sido com alunos não-economistas, como em cursos de Direito, Engenharias e Ciências Biológicas.

Entender de economia é fundamental para qualquer profissional, afinal, todo mundo possui recursos limitados para atender suas necessidades ilimitadas, e essa relação obriga que sejam tomadas decisões.

Será que compro um carro novo ou viajo para Europa com a família? Faço um curso ou uma viagem? Uso cheque especial para comprar uma blusa nova? Enfim, as escolhas são infinitas, pois sempre os recursos nunca serão suficientes para todas suas necessidades. É sempre uma relação de custo x benefício.

A relevância de tudo isso é que nem sempre as escolhas são feitas de maneira racional, e muitas vezes a emoção tem guiado a vida financeira de boa parte da população. Claro que a emoção é fundamental no processo de escolha, afinal ela alimenta a motivação de determinada ação, porém ela deve ser mensurada como uma variável que contribuiu na decisão, não representando o todo da escolha.

Tudo tem seu preço, não só aquele da etiqueta. Se comprou algo pela emoção, isso terá que compensar (racionalmente) algo que você não comprará em outro momento. Se você tem R$100 disponíveis e comprou uma calça de R$100 na emoção, significa que não terá R$100 para a festa da noite seguinte. Tudo depende dos seu orçamento (recursos) e de suas necessidades e desejos.

Por que digo tudo isso? Porque vejo surgir uma nova escravidão. Pessoas que compram bens e escolhem pagar em parcelas e depois não conseguem mais pensar em suas vidas no futuro porque estão presas aos compromissos financeiros que assumiram no longo prazo. E essa relação tem gerado ansiedade e suas conseqüências nefastas, como depressão, doenças psicosomáticas, queda de produtividade, etc.

Ah Léo, você está exagerando!

Ah é? Pergunte para os aposentados que pegaram empréstimos consignados para comprar um TV nova? E o assalariado que comprometeu metade de sua renda com a parcela do carro? E por aí vai.

As pessoas mal conseguem pensar em seu futuro. Não, tenho que pagar o carro. E mudar de emprego? Ah não, vai que não dá certo e não consigo mais pagar as parcelas da geladeira quadriplex com computador na porta.

Tem gente comprometendo mais da metade de sua renda corrente com prestações. O cara ganha R$1.000 e tem parcela de R$300 do carro, R$500 do apartamento, R$150 do sofá e por aí o mês vai ficando mais longo, se é que me entendem.

Percebem como a pessoa fica amarrada? Presa sem possibilidade de alçar voos maiores ou encarar desafios diferentes. Sou a favor do crédito e de suas benesses, principalmente pelo fato de aquecer a economia, mas que seja de forma sustentada e com uso consciente desses instrumentos financeiros.

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